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Quatro vagas em um dos maiores shoppings de São Paulo estão prontas para receber veículos elétricos e recarregar suas baterias, mas os postos atualmente são ocupados só por carros comuns. O Brasil possui apenas 71 automóveis elétricos atuais emplacados, segundo levantamento do G1, sem contar os modelos normais adaptados artesanalmente para rodar com motor elétrico. Somente um pertence a pessoa física, os demais fazem parte de frotas de empresas ou organizações.

Para efeito de comparação, nos Estados Unidos, onde o governo dá isenção de taxa para a compra desse tipo de veículo, somente o modelo Leaf, da Nissan, vendeu 3,9 mil unidades de dezembro passado, quando foi lançado, até agora.
O automóvel elétrico começou a circular no Brasil em 2007, com o início da produção do Fiat Palio Weekend Elétrico, para empresas de eletricidade parceiras do projeto. Atualmente, a Mitsubishi é a única a oferecer um modelo, o i-Miev, também para pessoa física, mas somente sob encomenda. Segundo a fabricante japonesa, apenas uma unidade foi comercializada até agora, para uma companhia.
Do Palio Elétrico há 58 unidades em circulação no país, todas emplacadas. Uma delas é do consulado da Itália. A montadora italiana já prepara o substituto do modelo no Brasil, segundo o coordenador brasileiro do projeto de veículos elétricos da Itaipu Binacional, Celso Novais. Rodam na empresa 28 unidades do Palio elétrico.
Indiano e norueguês
A importadora Cam Brasil conseguiu trazer da Índia, em 2008, nove unidades do modelo indiano Mahindra Reva i, mas já encerrou as compras por falta de interessados. Assim, a parceria que tinha com a ElecTrip, empresa que vende o modelo em São Paulo, acabou.
“O negócio não virou e desistimos de importar o carro”, diz Victor Levy, proprietário da ElecTrip. Ele tem ainda “em estoque” duas unidades, emplacadas, esperando um comprador. Uma deles foi licenciada em seu nome, como pessoa física.
Outro elétrico que circula no Brasil é o também importado Think. A CPFL Energia trouxe três unidades do carro da Noruega para sua frota.
Enquanto isso, em São Paulo, a Nissan negocia com a prefeitura a venda do modelo Leaf para ser integrado à frota da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) até o fim de 2012.
O carro foi mostrado durante o encontro de prefeitos de 40 metrópoles do mundo, o C40, em junho passado, na capital paulista. Na época, a montadora, a Prefeitura e a AES Eletropaulo firmaram acordo para estudar a viabilidade de instalar postos para recarga de veículos elétricos na cidade.
Falta infra-estrutura
Apesar da pequena quantidade de elétricos em circulação, o Brasil já mostra carência em infra-estrutura — não há nenhum sistema de carga rápida, por exemplo.
O que tem ajudado as montadoras é o marketing de empresas que começaram a injetar dinheiro em locais públicos e privados para receber esses carros. A esperança das montadoras é que este passo inicial incentive as compras por pessoa física.
A lógica é explicada pelo diretor-presidente da Associação Brasileira de Veículos Elétricos (ABVE), Pietro Erber. Segundo ele, o governo tem interesse no carro elétrico, mas desde que seja fabricado localmente. “Para isso, precisa-se de um mercado amplo, o que exige preço competitivo e infra-estrutura. Porém, ninguém vai investir em infra-estrutura, se não tiver mais carros elétricos em circulação”, resume.
Recarga no shopping e em condomínio
Entre as primeiras iniciativas para receber modelos elétricos está a do Shopping Iguatemi, em São Paulo, que já possui “vagas verdes”, com tomadas individuais para carregar os carros. Não se trata de um ponto de recarga rápida, porém é o primeiro espaço com essa proposta no país.
“Acreditamos que, no mundo de hoje, com a questão da sustentabilidade, carros elétricos sejam uma boa alternativa. É uma questão de tempo para que a frota cresça. Então, por isso, nos antecipamos e já dispomos de quatro vagas para recarga de carros elétricos em nosso estacionamento”, diz o gerente geral do shopping, Ivan Murias.
ambém na capital paulista, garagens de alguns empreendimentos de luxo terão estrutura para fiação e relógios de medição de consumo individuais, para o futuro uso de modelos elétricos. Em um dos imóveis da Tecnisa, ainda em construção, toda a garagem vai ter preparação para o ponto de abastecimento. O proprietário que precisar usar o sistema só precisará comprar a tomada adequada para recarregar o carro.
O diretor de marketing da construtora, Rogério Santos, afirma que se trata de valorizar o apartamento, até mesmo para uma futura revenda. “Nosso empreendimento fica pronto em três anos, então temos que pensar além. O imóvel está preparado para o futuro”, diz Santos. Outro projeto imobiliário na capital paulista, da BKO, também tem a inclusão de cinco vagas com estrutura para abastecer carros elétricos.
Voltagem
“O sujeito que morar em um prédio ou escritório que tenha essa facilidade vai ter um estímulo maior para comprar um carro elétrico”, afirma Erber, da Associação Brasileira de Veículos Elétricos. No entanto, ele ressalta que a recarga em condomínios deverá ser bem gerenciada e coordenada com a empresa fornecedora de energia elétrica. “É fundamental não recarregar na hora de maior demanda, para não onerar o sistema.”
O ideal, segundo Erber, é que essas redes de garagens tenham tensões mais altas do que as normais de 110V, como no caso do Sudeste, com a adaptação para o 220V. “Em tensão maior o tempo de recarga cai de 8 horas para 4 a 6 horas”, afirma o especialista.
Por esse motivo, a CPFL Energia já faz testes de pontos de recarga de veículos elétricos e plug-in (carros híbridos, com motor elétrico que predomina sobre o motor a combustão) na sua sede em Campinas, no interior de São Paulo. O projeto do Eletroposto é brasileiro e o protótipo foi montado no país. No entanto, para continuar o programa, a empresa afirma precisar de incentivos do governo.
Preço alto
Apesar de ser possível a homologação de modelos elétricos, ainda não há nenhuma legislação específica. Fora isso, na cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), os elétricos se encontram na categoria “outros”, ou seja, mesmo sem poluírem, o imposto é de 25%. Para modelos a gasolina, o IPI vai de 7% a 25%. Para os flex, de 7% a 18% -ele varia de acordo com a cilindrada do veículo.
“Não existe nenhum indício de que o governo vai incentivar a venda de carros elétricos”, diz o diretor da comissão técnica de veículos elétricos e híbridos da Sociedade Brasileira de Engenheiros da Mobilidade (SAE Brasil), Ronaldo Mazará Jr. Segundo ele, as montadoras só vão investir quando sentirem boa perspectiva no país. “É triste dizer isto, mas a gente não tem absolutamente nada. Somente dúvidas, nenhuma certeza”, lamenta.
Híbridos somam 127 unidades vendidas
Enquanto isso, os modelos híbridos — movidos pela combinação de um motor principal a combustão e outro elétrico — ganham espaço no segmento de luxo. Pioneira no mercado brasileiro, a Mercedes-Benz vende desde julho de 2010 o modelos S 400 Hybrid, que custa US$ 253 mil. Até junho deste ano, foram vendidas 21 unidades do carro. Mais barato, o Ford Fusion Híbrido sai por R$ 133,9 mil e soma 106 unidades vendidas até junho, volume considerado positivo, ao considerar que o carro foi lançado em novembro do ano passado.
Fonte: Globo Carros
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